Avaliação dos ProgramasCiência e Tecnologia para o Agronegócio



Realização Física e Financeira Indicadores Custos


O objetivo do Programa é incrementar a competitividade das cadeias produtivas e dos complexos agroindustriais, com a introdução da Ciência e Tecnologia no setor de agronegócio.
O acompanhamento dos resultados do Programa é realizado por meio do indicador: Número-índice de Produtividade dos Pesquisadores Envolvidos com o Agronegócio. Valor no início do PPA: 100,000/ Valor previsto final do PPA: 115,000.
Em virtude das novas diretrizes de financiamento e novos modelos de gestão, com a implantação dos fundos setoriais, especificamente do fundo setorial do agronegócio, o indicador deverá ser alterado, buscando padronizar o critério de avaliação das ações do fundo, onde haverá atuação tripartite, ou seja, Governo, iniciativa privada e academia.
Essa alteração se dá basicamente para estabelecer um mesmo padrão de avaliação entre os objetivos do Fundo Setorial do Agronegócio, as ações deste Programa e a integração dos diversos aspectos a serem avaliados em cada ação convergente para o Programa. Destaca-se que a apuração do indicador ficou comprometida devido ao contingenciamento de recursos durante o primeiro semestre do ano de 2002, que atuou como freio administrativo às implementações necessárias; o atraso no tocante à operacionalização do Fundo Setorial do Agronegócio, a formação de seu comitê gestor e, por decorrência, a integração dos trabalhos a serem desenvolvidos pelo mesmo e as ações já em andamento foram severamente afetados pela falta de recursos.
A obtenção dos resultados, em 2002, ficou muito abaixo do esperado. Em virtude do contingenciamento orçamentário, algumas ações não tiveram execução financeira e outras tiveram seus limites de empenho reduzidos substancialmente, comprometendo os resultados do Programa. O atraso na implantação do Comitê Gestor do Fundo do Agronegócio também contribuiu para o comprometimento da obtenção de resultados, pois não houve tempo hábil para implementação dos projetos aprovados pelo comitê.
Destaca-se o projeto Avaliação da Qualidade e Produtividade na Pesquisa Agropecuária - sob responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, executado pela Embrapa, com índice de realização física de 71,4%. O recurso repassado não atingiu o total previsto (liberação de R$ 136 mil frente a um orçamento de R$ 160 mil) e foi liberado apenas em dezembro de 2002. Apresentam-se como resultados obtidos: 1) implantação do novo modelo de gestão de programação da Embrapa; 2) consolidação dos macroprogramas e das comissões técnicas de macroprograma; 3) continuação da implantação interna do modelo de gestão estratégica (MGE), segundo a metodologia do Balanced Scorecard; e 4) alinhamento do novo modelo de gestão da programação (SEG) com o modelo de gestão estratégica.
Em termos de impactos sobre o público-alvo do Programa, é sabido que o contingenciamento ocorrido em 2002 fez com que as ações do Programa tivessem impactos negativos na obtenção de melhores resultados. Mesmo assim, tanto a Finep quanto o CNPq - que são os agentes do MCT para implementação das ações propostas - e a Embrapa, tiveram atuações que minimizaram tais impactos.
Com relação ao CNPq, durante o ano de 2000, houve a implementação das plataformas tecnológicas para os setores de citricultura, avicultura, cacauicultura, cajucultura, malacocultura, carcinocultura, ovinocaprinocultura, fruticultura e pecuária de leite. Em 2001, houve continuação do apoio às plataformas instaladas em 2000 e, em 2002, era esperada a implantação das plataformas de cana-de-açúcar, café, sementes e flores, mas que não se concretizaram pela falta de recursos orçamentários/financeiros destinados à ação.
Com relação à Finep existe, desde 2000, uma carteira de projetos que se encontram nas diversas fases, ou seja, desde consultas prévias para financiamento até projetos aprovados já na fase de desembolso.
Espera-se que, para 2003, com a entrada em funcionamento normal do Fundo Setorial do Agronegócio e com os recursos não contingenciados, comecem a ser implementadas as ações indicadas no Documento de Diretrizes Básicas do Fundo, com aplicação integral de recursos da ordem de R$ 30 milhões.



O setor de agronegócio nos últimos anos tem sido o sustentáculo da balança comercial brasileira, proporcionando superávit que beneficia o País como um todo. Em termos sociais, a atividade do setor atinge 41% da nossa força de trabalho, e tem uma grande importância, uma vez que representa 75% do total de gastos das despesas para as famílias de baixa renda. Em termos econômicos, o setor de agronegócio representa cerca de 40% do PIB nacional, ou seja, R$ 320 bilhões.
O Programa deriva da constatação de que o agronegócio é um dos setores da economia em que o incremento da competitividade está mais fortemente relacionado com o suporte científico e tecnológico. Nos países desenvolvidos, tem-se observado que a contribuição da ciência e tecnologia para o incremento da competitividade tem-se constituído na mola propulsora do dinamismo econômico das cadeias produtivas e complexos agroindustriais. O desafio da competitividade nos negócios que processam/envolvem produtos ou matérias-primas de origem agrícola, pecuária ou florestal requer cada vez mais soluções no âmbito da gestão e da inovação tecnológica. Verifica-se que as políticas e planos de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico apresentaram resultados importantíssimos no sentido de dotar o País de uma razoável infra-estrutura de P&D. Entretanto, atualmente, o País ainda se ressente de uma maior interação entre essa capacitação científica e tecnológica e as reais demandas da sociedade e do setor produtivo. Nas empresas do setor privado que compõem as cadeias produtivas do agronegócio, as atividades de pesquisa e desenvolvimento têm sido bastante limitadas, com implicações negativas em sua capacidade de inovação. Nesse sentido, há que se buscar a articulação entre o capital intelectual disponível e a capacidade empreendedora nacional, no sentido de mobilizar segmentos da sociedade para o estabelecimento efetivo de parcerias entre os setores empresariais e os de fomento e de execução de pesquisas, em todos os níveis, no estabelecimento de prioridades e na identificação dos problemas e dos gargalos tecnológicos que comprometem a competitividade dos diversos setores do agronegócio brasileiro.
Se levarmos em consideração toda a cadeia produtiva do agronegócio, deparamo-nos com uma interação bastante grande entre ministérios. Quando se fala em produção propriamente dita, a mesma está intimamente ligada ao Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária, bem como com o Desenvolvimento Agrário, no caso de Produção Rural de Economia Familiar; quando caminhamos para a necessidade de infra-estruturas, devemos salientar a grande importância das vias de transporte (Ministério dos Transportes e Ministério do Planejamento) e sua implementação visando o fluxo da produção; a parte final da cadeia pressupõe as transações comerciais do mercado interno e externo, envolvendo os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e o de Relações Exteriores.
O Programa foi bem concebido. De fato, há apenas duas observações:
Adequação dos Indicadores: conforme explicitado anteriormente, estes devem exprimir tanto a agregação de valor (econômico e funcional) do produto agrícola, quanto o aumento do peso do setor de agronegócio no saldo da balança comercial brasileira.
Matriz de Fontes de Financiamento: com a implementação do fundo setorial do agronegócio haverá nova fonte de financiamento, além das já existentes, uma vez que os recursos do fundo serão oriundos de 17,5% do total da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE.
Importante ressaltar que a consolidação das ações ora vigentes, e o conjunto de ações a serem definidas pelo Fundo Setorial do Agronegócio, irão proporcionar maior objetividade e legitimidade ao incremento da competitividade das cadeias produtivas e dos complexos agroindustriais.
No que tange à estratégia de implementação, merecem destaque:
Forma de articulação com as parcerias e com as partes interessadas: é esperado que a implantação do Fundo Setorial do Agronegócio proporcione uma nova forma de parceria com os diversos segmentos, uma vez que eles fazem parte, inclusive, da composição do Comitê Gestor.
Forma de participação com o público-alvo: pois este fará parte do Comitê Gestor, com atuação intensa, portanto, no Fundo Setorial/Programa de Tecnologia do Agronegócio.
Também existe a necessidade de adequar, nas atuais linhas de financiamento operadas pela Finep, os prazos e tempo de duração de projetos relacionados ao agronegócio, pois esses prazos e tempos são diferentes daqueles das áreas tradicionalmente apoiadas, mais voltadas para a área industrial.
Um aspecto positivo na estratégia de implementação são as plataformas tecnológicas, as quais permitem que haja um efetivo envolvimento do setor interessado, fazendo com que o mesmo seja responsável pelas atividades e resultados a serem obtidos.
Além disso, o aperfeiçoamento de mecanismos de supervisão, articulação e coordenação poderão, com a implantação do Fundo Setorial do Agronegócio, contribuir para a melhoria do desempenho do Programa.



No período 2000-2002, o Programa teve um desempenho modesto. Em 2002, somente com relação à ação 4180 (Fomento à pesquisa e desenvolvimento em agronegócio), houve gastos da ordem de 14,31%, sendo que o restante não foi empenhado. Espera-se que tais recursos sejam gastos em 2003, para que não haja descontinuidade da programação inicialmente desenvolvida. Ressalta-se que os recursos financeiros liberados em 2002 foram insuficientes. A execução programada foi prejudicada pelo contingenciamento orçamentário e o desembolso financeiro, pois as ações contempladas receberam os recursos apenas no mês de dezembro de 2002, influenciando, negativamente, no desempenho das ações do Programa executadas em outros ministérios e pelas agências de fomento CNPq e Finep.
Além disso, no período de 2000-2002, o Programa teve um caráter multidisciplinar, pois atuou através de plataformas, que é a forma mediante a qual busca-se o comprometimento dos setores envolvidos e essa atuação faz com que as responsabilidades sejam compartilhadas. Entretanto, a falta de recursos prejudicou sensivelmente a qualidade do esforço de capacitação oferecido à equipe gerencial e, do mesmo modo, a qualidade dos serviços oferecidos. Ressalta-se que recursos humanos, materiais e de infra-estrutura estão adequados para implementação do Programa, mas há necessidade de investimentos constantes na formação e aperfeiçoamento de pessoal, bem como na manutenção e modernização da infra-estrutura, de modo a atender às demandas atuais e futuras da implementação do Programa.
O desempenho dos parceiros na execução das tarefas e no cumprimento das metas acordadas para o período foi positivo. Houve grande interação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no que concerne a trabalhos conjuntos, bem como à agregação de recursos financeiros. Outro parceiro foi a Embrapa, que, além do apoio na geração, também atuou como difusora de conhecimento científico e tecnológico para os setores envolvidos. Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário, via Incra, dividiu responsabilidade em cooperação técnica, econômica, de gestão e acompanhamento /avaliação dos projetos desenvolvidos conjuntamente.
Em termos de parcerias prováveis, o Fundo Setorial do Agronegócio, que estará sendo efetivamente implementado a partir de 2003, terá um papel bastante importante, pois congregará a participação da iniciativa privada, da academia e do Governo, propiciando maior objetividade aos anseios do setor.
No que tange a mecanismos permanentes de participação da sociedade no Programa, quando existem iniciativas tipo plataformas, a interação com o público-alvo é bastante grande, pois com a participação do mesmo se dividem as responsabilidades e até mesmo os custos.
Além disso, quando falamos em trabalhos conjuntos, que é o caso das plataformas, a união de esforços já é uma forma de avaliação da satisfação do usuário. Outras formas de avaliação passam pela colaboração nas atividades e também no aporte de recursos, ações que demonstram a cumplicidade dos usuários com o desenvolvimento dos projetos.
Por fim, considera-se que a estrutura organizacional do Ministério está em fase de adequação à gestão por programas. Tendo em vista que o Programa de Agronegócio apresenta interface com diversos outros programas, com destaque para Biotecnologia, Saúde e Meio Ambiente, tem-se buscado maior interação com os setores responsáveis na busca de sinergia das ações. Ressalte-se ainda que o Fundo Verde-Amarelo aprovou um número significativo de projetos relacionados com o agronegócio.

Ciência e Tecnologia para o Setor Aeronáutico