Avaliação dos ProgramasClimatologia, Meteorologia e Hidrologia



Realização Física e Financeira Indicadores Custos


Trata-se de programa finalístico, cujo objetivo é ampliar a antecedência e a confiabilidade das previsões de tempo e clima, tendo como finalidade dar suporte técnico à tomada de decisões de instituições do Governo, da iniciativa privada e do terceiro setor, visando a proteção da sociedade, do meio ambiente e dos setores produtivos.
O Programa apresenta quatro indicadores: "Previsão numérica de tempo global - Resolução espacial da previsão"; "Previsão numérica de tempo regional - Resolução espacial da previsão"; "Taxa de acerto da previsão da tendência climática sazonal - região Amazônica, norte do Nordeste e Sul"; e "Taxa de acerto da previsão da tendência climática sazonal - Região Sudeste, sul do Nordeste e sul do Centro-Oeste".
Em 2002, as resoluções espaciais da previsão numérica de tempo global e tempo regional foram de 60 km e 15 km, respectivamente, atingindo antecipadamente as metas propostas. Da mesma forma, as taxas de acerto na previsão da tendência climática sazonal para a região Amazônica, norte do Nordeste e Sul já atingiram a meta inicialmente proposta de 80%. Por outro lado, a taxa de 60% de acerto na previsão da tendência climática sazonal para a região sul do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste deverá ser atingida até o final de 2003, conforme previsto.
Em 2000, a gerência do Programa propôs a inclusão no PPA de um indicador hidrológico, tendo em vista que os quatro indicadores existentes até então somente se referiam aos temas tempo e clima, não contemplando o tema hidrologia. Esta solicitação foi atendida em 2001 e, como conseqüência, o Programa Climatologia, Meteorologia e Hidrologia - PMCH passou a ter cinco indicadores. O presente comentário refere-se à ausência deste indicador hidrológico para 2002. Diante deste fato, e registre-se o desconhecimento das razões desta ausência pela gerência do Programa, não foi possível avaliar a sua variação.
Dentre as principais realizações do Programa, podemos destacar como resultados relevantes obtidos por meio das Ações que compõem o Programa Climatologia, Meteorologia e Hidrologia, no período de 2000-2002:
- Realizações correspondentes à ação Implantação da Agência de Meteorologia e Clima - AMC: foi elaborada minuta do Projeto de Lei para a criação da Agência de Meteorologia e Clima - AMC, com a finalidade de propor a política para o setor e, como decorrência, o avanço na sua organização. O texto encontra-se em processo de avaliação na Casa Civil da Presidência da República.
- Realizações correspondentes à ação Implantação e Modernização de Centros Estaduais de Monitoramento de Tempo, Clima e Recursos Hídricos - PMTCRH: foi iniciada a retomada do processo de implantação de novos Centros Estaduais de Meteorologia e Hidrologia, bem como a modernização tecnológica na área de informática dos dezoito Centros Estaduais já existentes e de quatro em fase de implantação, distribuindo equipamentos de informática e proporcionando as condições necessárias para a implantação dos Bancos de Dados nos respectivos Centros; foi iniciado o processo de modernização e expansão da rede hidrometeorológica do Estado do Maranhão, com a instalação de quatro Plataformas Automáticas de Coletas de Dados - PCD; apoiou-se a participação dos Centros Estaduais no Congresso Brasileiro de Meteorologia, ocorrido em 2002, adquirindo três estandes destinados à exposição de produtos oriundos dos Centros; foi dada continuidade ao processo de transferência de ciência e tecnologia para os Estados, por meio de financiamento de bolsas de pesquisa e desenvolvimento nas áreas fins do Programa e na área de informática, visando a solução de problemas locais, tendo sido destinadas dez bolsas para a Coordenação Técnica do PMTCRH no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos - CPTEC e quatro para o Sistema de Meteorologia do Estado do Rio de Janeiro - SIMERJ; o Programa de Monitoramento Climático em Tempo Real na Região Nordeste - Proclima, como resultado do PMTCRH, forneceu apoio técnico na execução do levantamento das ações emergenciais contra as secas no Nordeste, na estação chuvosa de 2000-2001 e forneceu os recursos necessários à participação de técnicos do CPTEC em dez reuniões climáticas nos estados apoiados pelo Programa. Vale ressaltar que os produtos resultantes do Proclima são de significativa importância como suporte técnico às ações emergenciais, visto que amplas áreas do semi-árido continuam em condições de forte deficiência hídrica.
Realizações correspondentes à ação Desenvolvimento de Pesquisas sobre o Clima e os Ciclos Biogeoquímicos dos Ecossistemas Amazônicos - LBA: deve ser evidenciado o total de estudos que compõem a ação LBA, que já chega a mais de cem, distribuídos nos seus vários temas científicos e em vários sítios experimentais. O período de abrangência da ação é de seis anos (1998-2004) e vem apresentando resultados científicos expressivos ao aumentar substancialmente o conhecimento sobre os ecossistemas amazônicos e como seu funcionamento é alterado devido às mudanças dos usos da terra. Além disso, a LBA tem servido ao propósito de treinar e formar uma nova geração de pesquisadores amazônicos preparados para lidar com questões de desenvolvimento sustentável e meio ambiente amazônico. Esta atividade envolve mais de noventa instituições brasileiras e várias outras instituições dos demais países amazônicos, bem como EUA e oito países europeus, sendo considerado o maior programa científico ambiental ocorrendo em escala mundial.
Realizações correspondentes à ação Apoio à Modernização dos Sistemas de Meteorologia e Hidrologia: foi dada continuidade ao processo de assinatura do contrato com a NEC e JBIC, instituições japonesas, possibilitando a aquisição, instalação e início de funcionamento, no CPTEC, do primeiro lote dos equipamentos do sistema de supercomputação, que irá proporcionar avanços significativos na melhoria da qualidade da previsão de tempo, estudos para estabelecer cenários de mudanças climáticas e extensão dos cálculos de estimativas diárias de água no solo e operação da previsão de poluição atmosférica, resultante de queimadas. Entretanto, a falta de pagamento da segunda parcela referente à aquisição do sistema inviabiliza o recebimento do segundo lote de equipamentos, lote este que é imprescindível ao funcionamento do sistema de supercomputação como um todo.
Realizações correspondentes à ação Capacitação de Recursos Humanos em Pesquisa e Desenvolvimento para o Setor de Recursos Hídricos - CT-Hidro: foi criada a ação Capacitação de Recursos Humanos em Pesquisa e Desenvolvimento para o Setor de Recursos Hídricos - CT-Hidro, cujos resultados no exercício consistiram de 456 pesquisadores com acesso a bolsas de desenvolvimento tecnológico ou bolsas para mestrado e doutorado na área de recursos hídricos. Essa ação viabiliza-se com a utilização de recursos provenientes do Fundo Setorial de Recursos Hídricos - CT-Hidro.
Realizações correspondentes à ação Fomento à Pesquisa e à Inovação Tecnológica para o Setor de Recursos Hídricos - CT-Hidro: foi criada a ação Fomento à Pesquisa e à Inovação Tecnológica para o Setor de Recursos Hídricos - CT-Hidro, cujo resultado no exercício consistiu na contratação de 37 projetos de desenvolvimento tecnológico com foco nos recursos hídricos. Essa ação viabiliza-se com a utilização de recursos provenientes do Fundo Setorial de Recursos Hídricos - CT-Hidro.
Realizações correspondentes à ação Pesquisa, Desenvolvimento e Operações em Previsão de Tempo e Estudos Climáticos - CPTEC: destaca-se em 2002 a introdução de novos métodos de previsão numérica de tempo no CPTEC/INPE, as chamadas "previsões probabilísticas", com aumento da confiabilidade das previsões. Ainda no mesmo exercício, o CPTEC inaugurou seu novo sistema de supercomputação, considerado o mais poderoso sistema instalado na América Latina. Os sistemas existentes no CPTEC, de previsão numérica de tempo e clima, foram implementados no novo supercomputador. Já neste início de 2003 estes sistemas de previsão meteorológica estão operando rotineiramente. Além da melhora substantiva na previsão meteorológica do Brasil, este novo equipamento irá permitir a inserção do país no seleto grupo de menos de dez países do planeta com supercomputação de altíssimo desempenho.
Realizações correspondentes às ações Sistema de Informações Hidrológicas e Hidroenergéticas para Geração de Energia Elétrica; Operação e Manutenção da Rede Hidrométrica; e Consistência de Dados Hidrometeorológicos: foi criada uma comissão de transição da administração da rede e do Sistema de Informações Hidrometeorológicas; foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica entre a Agência Nacional de Águas - ANA e a Agência Nacional de Energia Elétrica - Aneel para troca de informações hidrológicas e manutenção do Sistema de Informação; foi assinado um Convênio de Cooperação Técnica entre a ANA e a União, por meio da Secretaria de Energia do Ministério das Minas e Energia - MME, visando ao repasse de recursos financeiros oriundos da Compensação Financeira e Royalties sobre geração de energia elétrica, do MME para a ANA, para operação e manutenção da Rede Hidrometeorológica Básica. Nesse período teve início a implantação das Plataformas de Coleta de Dados - PCD e sensores de chuva e nível de rios na Amazônia, por meio de um acordo do Sistema de Vigilância da Amazônia - Sivam, inicialmente com a Aneel e posteriormente com a ANA, para a transmissão de dados via satélites brasileiros. Os resultados alcançados com a operação do Sistema de Informações Hidrológicas foram satisfatórios.
Realizações correspondentes às ações Operação dos Serviços Meteorológicos; Produção e Divulgação de Informações Meteorológicas e Climatológicas; Implantação de Laboratórios de Precisão; Implantação de Oficinas de Manutenção; Implantação de Rede de Telecomunicações de Dados Meteorológicos; e Implantação de Estações Automáticas de Coleta de Dados Meteorológicos: o uso das Estações Automáticas de Coleta de Dados e do moderno sistema de comunicações adquiridos no período permitiu o monitoramento em tempo real das condições de tempo, o que se refletiu positivamente nas previsões, com conseqüente aumento de freqüência e melhoria na qualidade dos dados observados. A obtenção dos resultados apresentados foi possível em função de iniciativas adotadas visando à concentração de esforços para a integração entre as diversas ações que compõem o Programa.
No que tange aos resultados esperados para o ano de 2003, eles se referem especificamente a duas ações, quais sejam:
Ação Implantação da Agência de Meteorologia e Clima: instituição do Sistema Brasileiro de Meteorologia e Climatologia e criação da Agência de Meteorologia e Clima - AMC, com a finalidade de propor a política para o setor e o avanço na implantação do novo arranjo institucional.
Ação Implantação e Modernização de Centros Estaduais de Monitoramento de Tempo, Clima e Recursos Hídricos - PMTCRH: consolidação dos dezoito centros estaduais já existentes e implantação dos quatro novos centros.



O Programa Climatologia, Meteorologia e Hidrologia (PCMH) se originou da junção de ações e iniciativas diversas do Governo Federal nas áreas de meteorologia, clima e recursos hidrológicos. Essas ações e iniciativas, por sua vez, atendem à demanda crescente por informações meteorológicas precisas, com base científica, cada vez mais relevantes para a adoção, em tempo hábil, de medidas que possam evitar ou minimizar os efeitos de eventos críticos sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade. Adicionalmente novos setores, tais como o de turismo e o de esportes, têm aumentado a demanda por previsões meteorológicas, reforçando a relevância do PCMH.

Com relação aos aspectos do programa a serem melhorados, tem-se:

É necessária a criação de uma ação específica para o Projeto Pirata, visto que até o momento o Pirata não conta com recursos previstos no orçamento da União, o que representa um sério comprometimento para a participação brasileira no Projeto durante sua fase de consolidação. O Projeto representa uma iniciativa tripartite envolvendo instituições brasileiras (INPE e DHN), francesas (IRD e Meteo-France) e americanas (NOAA/OGP, NOAA/PMEL). Durante a fase de consolidação do projeto Pirata, abrangendo o período de 2001 a 2006, pretende-se manter a configuração de bóias ancoradas, de estações meteorológicas e maregráficas em ilhas no Atlântico Tropical desenhada para a fase piloto, além de incluir a extensão sudoeste da rede, que beneficiará diretamente os estudos e atividades operacionais de previsão climática especialmente sobre o Nordeste do Brasil. A fase de consolidação também inclui um programa de treinamento e desenvolvimento tecnológico com o objetivo de capacitar o Brasil no domínio do ciclo completo de tecnologia de transmissão, recepção, decodificação, armazenagem, recuperação de dados meteorológicos e oceânicos por meio de sistemas fundeados e derivantes. O Projeto Pirata é considerado de fundamental importância para a melhoria das previsões de tempo e clima para o Brasil, como catalisador de desenvolvimento e capacitação tecnológica de aquisição de dados oceânicos no Atlântico e a consolidação da liderança Brasileira no monitoramento meteorológico e oceânico do Oceano Atlântico Tropical e Sul.

Também destaca-se o Proclima – Programa de Monitoramento Climático em tempo real na Região Nordeste, que permite a elaboração do zoneamento e avaliação da situação climática em tempo real na região de atuação da Adene (ex Sudene). O Proclima é de significativa importância como suporte técnico, servindo de subsídio para tomada de decisão nas ações emergenciais naquela área. Por meio do Proclima, são tomadas decisões que permitem avaliar a extensão e gravidade da seca em períodos específicos. O Proclima elabora cenários futuros de evolução da seca baseando-se nos resultados de modelos de previsão climática, que permitem a antecipação de ações – elemento de fundamental importância na gestão de calamidades.

No que se refere a articulação com outros Ministérios, deverá ser intensificada a inter-relação entre o Gerente do Programa e os Coordenadores das Ações – localizados em outros Ministérios, por meio de reuniões sistemáticas e visitas técnicas às respectivas instituições.

Por fim, com relação ao aperfeiçoamento dos mecanismos de supervisão, articulação e coordenação, as constantes alterações nos quadros de Gerência e nas equipes em todas as instâncias do Programa provocam a descontinuidade nas relações de supervisão, articulação e coordenação. Cabe notar que o Programa sofreu três mudanças na sua gestão interna entre 2000 e 2002. A última mudança, ocorrida em meados de 2002, veio ao encontro das necessidades anteriormente identificadas na gerência do Programa. A associação desta com a Coordenação-Geral de Meteorologia do MCT proporcionou o fortalecimento das atividades diretamente relacionadas à função gerencial. Os problemas apresentados nas avaliações anteriores têm sido minimizados em função desse novo arranjo. A Coordenação-Geral de Meteorologia já se encontra instalada em espaço físico próprio e há um processo gradativo de montagem da equipe de trabalho. A alteração ocorrida neste exercício, de associação entre as funções de Coordenação-Geral de Meteorologia e gerência do Programa de Climatologia, Meteorologia e Hidrologia, possibilitou a intensificação das relações no âmbito do PCMH, através de constantes visitas técnicas aos Estados de Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia e Sergipe, com o intuito de fortalecer a parceria, e ainda promover a institucionalização dos Centros Estaduais existentes, propondo sua inserção dentro das estruturas dos respectivos governos. Além disso, propiciará também o adequado relacionamento entre o gerente e os coordenadores das ações, relação esta pouco intensa até então.

Relevante observar, na estratégia de implementação, que o redirecionamento das atenções para os Fundos Setoriais, para obtenção de recursos visando a suprir algumas das deficiências ocasionadas pelas restrições de execução financeira, possibilitou a descoberta de novas oportunidades de financiamento das necessidades do Programa.
 
   



O PCMH, no aspecto geral, sofreu impactos significativos em seus resultados planejados, devido ao distanciamento do que estava inicialmente previsto no orçamento e o que foi realmente liberado. Em relação ao previsto para 2003, o problema persiste, no que diz respeito à modernização e expansão das redes observacionais, provocando o alongamento do prazo da execução. Visando minimizar os efeitos negativos das restrições orçamentária e financeira, o PCMH intensificou esforços para a captação de recursos através dos Fundos Setoriais de Energia e de Recursos Hídricos.

As dificuldades de natureza financeira afetaram particularmente as seguintes ações:

a) A ação Meteorologia Aeroespacial desempenha um papel importante no cenário atual das atividades meteorológicas realizadas no Brasil e enquadra-se perfeitamente no Programa. Apesar disso, existe dificuldade para o início e andamento dos trabalhos desta Ação, uma vez que, até a presente data, não foram alocados os recursos financeiros previstos para os anos de 2000, 2001 e 2002, em função da definição da Unidade Responsável na qual esta ação foi enquadrada no PPA. Além disso, existem dúvidas quanto à liberação de recursos financeiros para o exercício de 2003.

b) Em 2001, a Gerência do Programa solicitou a inclusão da ação Desenvolvimento de Aplicações de Imagens e Dados para Meteorologia e Meio Ambiente, cuja solicitação foi atendida somente para 2003. Os recursos solicitados inicialmente foram da ordem de R$ 2 milhões. Tendo em vista que o valor alocado para o exercício 2003 é de apenas R$ 500 mil, prevêem-se prejuízos na produção sistemática de dados meteorológicos e seu arquivamento, na instalação de sistemas de detecção de sinais e na interação crescente com outras instituições nacionais e internacionais. Deve-se notar ainda que o CPTEC/INPE é a única instituição no país possuindo dimensão em dados de satélites ambientais e outros sensores da atmosfera;

c) Na ação Implantação e Modernização de Centros Estaduais de Monitoramento de Tempo, Clima e Recursos Hídricos – PMTCRH, o distanciamento entre o planejado e reprogramado, ao longo de todo o período de abrangência do PPA, vem provocando prejuízos na implementação da Ação, no alcance das metas previstas de implantar novos Centros Estaduais e de expandir e modernizar os Centros já existentes.

d) Ação Apoio à Modernização dos Sistemas de Meteorologia e Hidrologia: O MCT não conseguiu ampliar os limites de empenho e movimentação financeira do FNDCT de forma a concluir a compra do 2º lote de equipamentos com a dotação prevista no orçamento de 2002. Tendo em vista que o valor a ser pago é de aproximadamente R$ 49 milhões, e que já existe R$ 3 milhões alocados no orçamento de 2003, há a necessidade de se adotar a providência de solicitação de crédito suplementar de aproximadamente R$ 46 milhões para esta ação no orçamento de 2003. O não pagamento da segunda parcela inviabiliza a aquisição do segundo lote do equipamento, o que compromete sua performance original, comprometendo a capacidade técnica do equipamento e, mais, o investimento inicial. Esta aquisição irá proporcionar avanços significativos na melhoria da qualidade da previsão de tempo, estudos para estabelecer cenários de mudanças climáticas e extensão dos cálculos de estimativas diárias de água no solo e, operação da previsão de poluição atmosférica, resultante de queimadas.

e) Ação Implantação de Estações Automáticas de Coleta de Dados Meteorológicos: A desvalorização cambial restringiu a aquisição e implantação de estações meteorológicas. Trata-se de equipamento de grande importância ao monitoramento das condições atmosféricas e um importante passo para a modernização dos sistemas, não ocasionando, todavia, prejuízos na sua execução física.

De qualquer maneira, no que se refere especificamente ao ano de 2002, ainda que os recursos financeiros liberados tenham sido insuficientes, o cumprimento de metas ocorreu dentro do previsto.

Além disso, o Programa, devido à sua natureza multissetorial, tem encontrado dificuldades para sua execução, como:

a) A indefinição das atribuições dos diversos atores envolvidos no setor federal de meteorologia acarreta atrasos na montagem do sistema nacional de meteorologia e aprovação do modelo proposto para a Agência de Meteorologia e Clima - AMC. Além disso, como o novo arranjo institucional proposto ainda não está concretizado e o Gerente encontra dificuldades em acompanhar o desempenho das Ações alocadas em outros Ministérios, alguns destes Ministérios não contribuíram para a elaboração do presente relatório com as respectivas informações;

b) A definição do modelo institucional do Programa depende de Decreto do Poder Executivo, no qual venha a delegar ao Ministério da Ciência e Tecnologia a competência das áreas de meteorologia e climatologia no Governo Federal.

Com relação à atual equipe gerencial do Programa, esta é bem recente e ainda se encontra em processo de formação. No que se refere à execução do Programa no âmbito do modelo do PPA, apenas a gerente recebeu capacitação – antes mesmo de se assumir a gerência do programa. Dessa forma, há a necessidade de treinamento dos outros membros da equipe quanto ao modelo de gestão por programas. No que se refere à capacitação voltada para a ação finalística, também se identifica a necessidade de que alguns membros da equipe gerencial recebam treinamento específico, uma vez que foram recrutados de áreas pouco relacionadas ao setor de meteorologia. Também a quantidade de recursos humanos, tanto na equipe gerencial quanto nas equipes locais, se mostrou insuficiente.

Já com relação aos recursos materiais e infra-estrutura disponível, estes têm sido adequados para a implementação do programa, embora o planejamento para melhoria da infra-estrutura e aquisição dos insumos necessários à operacionalização de nossas Ações também tenha sido prejudicado pelo contingenciamento orçamentário imposto ao Programa.

Quanto ao desempenho dos parceiros, destacam-se as suas contribuições no âmbito das Ações:

a) Ação Implantação e Modernização de Centros Estaduais de Monitoramento de Tempo, Clima e Recursos Hídricos – PMTCRH: foram realizados treinamentos de técnicos dos Estados de Alagoas, atividades integralmente apoiadas com recursos oriundos dos respectivos Estados e da própria ação, evidenciando o enorme esforço e entusiasmo dos técnicos do CPTEC/INPE e dos Estados, no sentido de manter as atividades operacionais e de pesquisa, demonstrando a importância do apoio e participação de parceiros, conforme identificado no PPA anterior;

b) A ação PMTCRH recebeu apoio do Fundo Setorial de Energia – CT-ENERG, possibilitando a aquisição de equipamentos de informática, em um total de vinte micros e vinte microsservidores. Estes equipamentos estão sendo gradualmente disponibilizados aos Centros estaduais já implantados;

c) A ação PMTCRH recebeu apoio do Fundo Setorial de Energia – CT-ENERG, possibilitando a aquisição de oitenta estações automáticas, a serem instaladas nos Centros estaduais, ainda no presente exercício.

d) A ação Pesquisa, Desenvolvimento e Operações em Previsão de Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC recebeu apoio do Fundo Setorial de Recursos Hídricos – CT-HIDRO, destinado a aquisição de Sistema de aquisição e processamento de imagens de satélite GOES; Estação de trabalho e servidores DS20; Estação meteorológica automática; microcomputadores; e financiamento de bolsas de pesquisa e desenvolvimento, possibilitando a melhora da previsão de tempo e clima e melhoria na calibração dos modelos hidrológicos.

Quanto às parcerias com outros Programas, destaca-se o apoio oferecido pelo CNPq, no âmbito do “Programa Inovação para Competitividade”, para a implantação e modernização dos Centros Estaduais, por meio da concessão de bolsas a estes Centros. As bolsas, por sua vez, proporcionam a agregação de Recursos Humanos qualificados, estágios de curta duração, treinamento e iniciação científica.

O programa de bolsas submetido ao CNPq no final do ano de 2000, entretanto, foi implementado em menos de 1% da dotação de bolsas planejada por falta de recursos. Em conseqüência, não foi possível sua execução durante todo o período 2000-2002. A não implementação desse programa de bolsas prejudicou, portanto, a implantação de novos Centros Estaduais.

No que se refere à adequação da estrutura organizacional do Ministério à gestão por programas, a estrutura está perfeitamente adequada à gestão por programas, uma vez que o MCT criou na sua estrutura o Departamento de Programas Temáticos para atender ao novo modelo de gestão proposto pelo PPA.

E, por fim, com relação aos mecanismos de participação da sociedade e de avaliação de satisfação dos usuários/beneficiário, não há mecanismos permanentes de participação da sociedade no Programa, e o Programa não adota metodologia formal para avaliação de satisfação do usuário. A principal dificuldade se refere ao arranjo do setor de meteorologia, que não está concentrado em um único programa. Dessa forma, a satisfação do público-alvo do Programa de Climatologia, Meteorologia e Hidrologia depende de condições e iniciativas que estão fora do seu alcance e da responsabilidade.

 

Combate à Violência Contra a Mulher