Avaliação dos ProgramasConservação de Solos na Agricultura



Realização Física e Financeira Indicadores Custos

O Programa tem por base o Capítulo VI – Da Proteção Do Meio Ambiente e da Conservação dos Recursos Naturais, da Lei nº 8.171 de 17 de janeiro de 1991 (Lei Agrícola), bem como outros diplomas legais que regem a matéria e o próprio Regimento Interno do Ministério da Agricultura. Nesse contexto, a sociedade, por meio de suas organizações ligadas ao setor agrícola, tem demandado a participação do Governo Federal no processo de recuperação dos recursos naturais envolvidos no processo produtivo agrícola, principalmente o solo, a água e a biodiversidade.
Embora o Programa tenha uma base conceitual comum a todo País, os trabalhos são apoiados a partir das demanda das comunidades e, portanto, atende as especificidades locais e regionais. Existe, entretanto, necessidade de ações complementares ao Programa, a exemplo de uma maior interação entre outras instituições responsáveis pelas áreas de infra-estrutura de comunicação e transporte, armazenamento, saúde, agentes financeiros públicos e privados com linhas de crédito para infra-estruturas (agroindústrias e similares), uma vez que para se atingir o desenvolvimento sustentável deve-se enfocar desde ações de recuperação, manejo e gestão ambiental, e incluir as diversas áreas do conhecimento, que devem ser trabalhadas de forma multi e interdisciplinar para se atingir o objetivo maior que é a melhoria da qualidade de vida das populações.


A variação dos índices dos indicadores do Programa no período 2000/2002 refletiu, de forma geral, uma contribuição significativa do mesmo para a solução dos problemas de degradação ambiental e para a melhoria da produtividade nas áreas objeto de trabalho.
Apesar dos resultados positivos, no que concerne à geração de tecnologias em manejo e conservação de solo e água, da validação das mesmas no âmbito das unidades demonstrativa implantadas e dos ganhos de produtividade de diversas culturas anuais registrada nos projetos, a evolução dos indicadores relativos à recuperação de áreas degradadas ficou aquém do planejado, em decorrência do compartilhamento de despesas adotado pelo MAPA e de outros entraves, como as dificuldades inerentes à celebração de convênios. Mesmo com os avanços alcançados pelo Programa, o cenário atual mostra, que em algumas regiões do País, o processo de degradação vem aumentando, principalmente em decorrência do uso de tecnologias agrícolas inadequadas, que tem acelerado a perda da capacidade produtiva dos solos em áreas frágeis, com conseqüentes prejuízos econômicos, sociais e ambientais.
Os principais resultados alcançados pelo Programa no período, além dos mensurados, foram as ações de capacitação de técnicos multiplicadores e de produtores rurais em gestão da propriedade e em manejo e conservação do solo e da água no processo produtivo agrícola; a implantação de viveiros de mudas para a recuperação de matas ciliares; a validação de espécies de cobertura de solo para a viabilização do plantio direto junto aos pequenos e médios agricultores; o estabelecimento de sistemas de rotação de culturas com a incorporação de matéria orgânica; e a organização dos produtores para os aspectos de comercialização (insumos e produtos).
As principais lacunas enfrentadas pelo Programa foram a escassez de pessoal e a pouca capacidade técnica das instituições parceiras para enfrentar os desafios impostos para se atingir a sustentabilidade da produção agrícola em um mercado cada vez mais competitivo. É importante ressaltar que não houve mudanças na gestão interna do Programa e que as alterações na política setorial não afetaram o desempenho do mesmo. Entretanto, o contingenciamento de recursos e a própria conjuntura econômica foram fatores que atuaram de forma adversa no cômputo geral do Programa.
Com base nos índices alcançados no período 2000/2002 e no cenário econômico atual, pode-se prever que para que seja alcançado o índice previsto de recuperação de área agrícola degradada será necessária a revisão do Orçamento Geral da União, uma vez que o recurso disponível para apoiar as iniciativas das comunidades tem sido bastante reduzido em relação às demandas, mesmo considerando os recursos e esforços dos produtores e de outras instituições parceiras.
Uma estratégia que está sendo analisada pelos gestores do Programa é incentivar a estruturação dos estados e municípios para a condução desse trabalho em um projeto de médios e longos prazos, a exemplo do que vem sendo implementado nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.
O Programa apresenta essencialmente impactos positivos sobre o meio ambiente e sobre seu público-alvo, pela utilização de tecnologias de manejo e conservação do solo mais apropriadas às suas condições sócio-ambientais, com reflexos positivos no controle da erosão do solo, na proteção dos mananciais, no controle biológico de plantas daninhas, pragas e doenças, no uso mais racional dos agrotóxicos, dentre outros aspectos relativos ao uso e manejo sustentável dos recursos naturais no processo de produção agrícola.
Os benefícios mensuráveis no âmbito do Programa foram, principalmente, a recuperação da capacidade produtiva do solo e a proteção dos mananciais, a redução dos custos de produção, o aumento da produtividade das culturas, o gerenciamento mais eficiente da propriedade. A proposta orçamentária para 2003 é tímida frente a importância que se reveste o tema para a sociedade e os desafios impostos para reverter o passivo ambiental decorrente do processo desordenado de uso e ocupação do solo, característico do desenvolvimento brasileiro.



O Programa, dentro de parâmetros técnicos, econômicos e ambientais, deve ampliar suas metas físicas para atender as necessidades apontadas nos diagnósticos que compõem os projetos de recuperação ambiental.
O Programa necessita ainda, ter sua matriz financiadora ampliada de forma a permitir o fortalecimento das parcerias entre sociedade e Governo dentro das ações necessárias para reverter o processo de degradação ambiental, que depende de tecnologias apropriadas, capacidade de gestão, recursos financeiros e horizonte temporal. Somente a partir desses fatores, e de uma atuação harmônica no seio da sociedade, pode-se atingir um patamar de desenvolvimento que seja considerado sustentável.
Como forma de suporte às ações básicas estabelecidas, o Programa tem atuado, dentre outras, nas seguintes atividades:
promoção de treinamento sobre gestão da empresa agrícola com vistas à melhoria dos controles administrativos da propriedade;
realização de cursos para técnicos e produtores rurais nas áreas de manejo e conservação do solo e da água e sobre sistemas agrícolas sustentáveis, a exemplo do plantio direto, do cultivo mínimo, manejo da matéria orgânica etc.;
- organização dos agricultores em Clubes Amigos da Terra e outras formas de associativismo;
- apoio ao desenvolvimento, teste e divulgação de máquinas e equipamentos apropriados à pequena propriedade;
formação de bancos de sementes de espécies vegetais apropriadas para cobertura e para a melhoria da estrutura física e biológica do solo;
- implantação de viveiros comunitários para recomposição de matas ciliares e para recuperação de solo; e
palestras sobre o uso seguro de agrotóxicos, tríplice lavagem e reciclagem de embalagens.
Desta forma, a ampliação das metas do Programa com vistas a atender especificidades locais e regionais identificadas nos diagnósticos técnicos pode contribuir para a melhoria da eficiência das interferências socioambientais. A articulação com outras unidades do MAPA poderá também contribuir para melhorar substancialmente a relação custo-benefício de suas ações junto aos agricultores e organizações do setor. É importante também, ampliar o processo de articulação com as diversas organizações que atuam no setor agrícola com o objetivo de estabelecer na sociedade em geral o comprometimento para com a gestão sustentável dos recursos naturais.
Deverão também ser ampliadas as articulações com outros ministérios e, dessa forma, ampliar as ações voltadas para a recuperação de áreas degradadas, melhoria da capacidade produtiva dos solos, aumento da produtividade da terra e do trabalho, preservação da biodiversidade, proteção dos recursos hídricos, dentre outras, o que pode significar uma atuação complementar de governo na área de desenvolvimento socioeconômico e de proteção ambiental.
As principais estratégias que contribuíram para o alcance dos resultados do Programa foram a organização e a participação direta dos produtores rurais no planejamento e execução do trabalho; a atuação em forma de parceria com as organizações do setor agrícola tanto com relação aos recursos humanos, materiais e financeiros, como no que se refere a motivação das comunidades para conseguir um incremento de renda em âmbito local, para a recuperação e preservação do meio ambiente em benefício de todos, tendo, como resultante, a melhoria da qualidade de vida na bacia hidrográfica.
Será de grande importância aperfeiçoar e estabelecer novos mecanismos de articulação e coordenação do Programa, o qual apresenta um conceito apropriado e uma forma eficiente de gestão do uso, do manejo e da preservação dos recursos naturais, principalmente do solo, da água e da biodiversidade. Essa articulação e coordenação poderão ser melhoradas a partir do estabelecimento de estratégias semelhantes à adotada pelo Banco do Nordeste, nos chamados "pólos de desenvolvimento" presentes em vários projetos em sua região de abrangência. Outra estratégia efetiva para o aperfeiçoamento dos instrumentos de controle e de articulação intra e interinstitucional poderão ser a elaboração do Plano Diretor Agrícola Municipal - IEA-SP/ Embrapa, que busca, por meio de um diagnóstico socioeconômico, estabelecer as prioridades de desenvolvimento e a divisão de responsabilidades na busca de apoio técnico/financeiro e institucional para atingir as metas propostas pela comunidade, além de uma estratégia clara com relação à abertura de novos mercados com base na competitividade, qualidade dos produtos e gestão eficiente.
Neste contexto, a experiência do MAPA na área de microbacias hidrográficas, somadas às ações de pesquisa agrícola e de desenvolvimento tecnológico, com o apoio dos Serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, canalizada de forma integrada e harmônica com as ações ambientais de outros ministérios e órgão de governo, poderá significar um grande avanço na gestão ambiental no País, na melhoria dos processos produtivos no campo, com grandes reflexos positivos na geração de emprego e melhoria de renda da população.



Os recursos orçamentários destinados ao Programa no período 2000-2003 sofreram cortes e contingenciamento, o que gerou dificuldades na condução dos trabalhos e divergências entre as metas planejadas e as realizadas. Como estratégia para minimizar esse problema, a gerência atuou junto aos parceiros na definição de formas de atuação conjunta, no que se refere tanto a disponibilização de recursos humanos, como materiais e financeiros. Outras alternativas encontradas para a superação dessa restrição foram o alargamento do prazo para a execução dos projetos e a busca de alternativas técnicas menos custosas para as ações práticas no campo. Entretanto, novas fontes de receitas deverão ser identificadas e novas parcerias devem ser promovidas, com vistas a um maior fortalecimento e uma maior efetivação do Programa junto às comunidades rurais.
As atividades humanas em geral, e a agricultura em particular, exercem um forte impacto no meio ambiente. Quando conduzidas de forma imediatista ou sem um planejamento de uso dos recursos naturais a longo prazo têm, como conseqüência a degradação do solo e do meio ambiente como um todo, o que implica a necessidade de uma aplicação prática dos conceitos preconizados pelo desenvolvimento sustentável para as mais diversas atividades humanas.
Os esforços dos governos para enfrentar os desafios impostos pela gestão sustentável dos recursos naturais, entretanto, têm resultado em uma ampla gama de ações governamentais desconexas e difusas em todos os níveis administrativos, o que leva a uma perda de foco gerencial. O setor agrícola tem como sua base produtiva o solo e os recursos hídricos, os quais requerem um uso e manejo sustentável que, com o emprego de tecnologias apropriadas, garantem a manutenção e a melhoria da produtividade econômica ao longo dos anos.
Áreas agrícolas degradadas podem, com a utilização de manejo apropriado, ser reincorporadas ao processo produtivo em bases econômicas. Portanto, ao lado da prevenção da degradação das terras, a recuperação de áreas degradadas no contexto agrícola assume alta relevância socioeconômica e ambiental, vez que constitui uma das estratégias para reduzir o avanço das atividades humanas sobre áreas naturais e permite a reversão do ciclo de pobreza induzido por uma agricultura extrativista. Um dos exemplos da reversão desse quadro pode ser visualizado na integração lavoura-pecuária, que permite substanciais ganhos de produtividade e de qualidade ambiental, estratégia incentivada pelo Programa e adotada pelo produtor.
Daí a importância de uma ação intersetorial coordenada, com o objetivo de viabilizar as mudanças tecnológicas necessárias e garantir a sustentabilidade ambiental almejada pela sociedade. Como contribuição complementar para as ações de desenvolvimento, no período 2000-2003 o Programa atuou, diretamente ou na forma de parcerias, na capacitação de recursos humanos, tanto de pessoal técnico (multiplicadores), como de agricultores, estudantes e professores.
Cursos técnicos, seminários, dias de campo, demonstração de máquinas e equipamentos foram realizados em vários municípios, beneficiando diretamente cerca de 22 mil pessoas, sem contabilizar o público atingido por campanhas educativas e pelos materiais de divulgação (cartilhas, folder, cartazes), cujo resultado é difuso e de difícil mensuração. Mas certamente essas ações contribuíram efetivamente para despertar a consciência da sociedade para a importância da qualidade do meio ambiente para a sustentabilidade das atividades econômicas, bem como para dar sustentação técnica às ações de desenvolvimento social.

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