Avaliação dos ProgramasCrediamigo



Realização Física e Financeira Indicadores Custos


O Programa tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento do setor microempresarial, de forma sustentável, oportuna, adequada e de fácil acesso, mediante oferta de serviços financeiros e de capacitação, assegurando novas oportunidades de ocupação e renda à Região Nordeste.
O Crediamigo vem se expandindo e consolidando suas atividades, proporcionando a inserção competitiva dos microempresários do Nordeste no mercado. Como conseqüência, possibilita o aumento dos ganhos financeiros e a melhoria da qualidade de vida nas regiões de atuação.
No ano 2000, o Crediamigo firmou parceria estratégica com o Banco Mundial, assinando contrato de empréstimo com aquela instituição no valor de US$ 50 milhões, recursos que serão utilizados para financiar o Projeto de Desenvolvimento de Microfinanças do Nordeste. O prazo para pagamento é de quinze anos e o apoio do Banco Mundial não se limita ao empréstimo, abrangendo também todas as ações que possibilitem o bom desempenho e o crescimento do Crediamigo. Os recursos envolvem US$ 100 milhões, sendo metade de contrapartida do Banco do Nordeste e garantirão a continuidade do Programa.
O Programa Crediamigo realizou 359,2 mil operações de crédito em 2002, com a aplicação de R$ 287,3 milhões, assegurando a manutenção de 118 mil microempreendedores atendidos com o aporte de crédito do Programa. Ainda que principiante, mereceu destaque a oferta de produtos como Giro individual e investimento fixos, lançados em 2002 e que resultou em 14,2 operações envolvendo recursos na ordem de R$ 24,0 milhões.
A auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União - TCU em 2001, cumprindo Plano de Auditoria da Secretaria de Controle Externo no Estado da Paraíba, constatou a efetividade do programa e a satisfação de seus clientes. Mais de 80% deles afirmaram que seus negócios cresceram após a adesão ao Crediamigo. Além do TCU, uma auditoria externa ratificou a adequação dos demonstrativos financeiros, além da qualidade da carteira e dos sistemas de informação e gerenciamento.
O Programa, iniciado em 2000, teve que se estruturar tanto do ponto de vista físico quanto de recursos humanos. Os resultados do Programa nos anos 2000 e 2001 apresentaram-se satisfatórios. Quanto ao fornecimento de crédito, o Programa superou sua meta de execução física em 6,5% no ano de 2000. No ano seguinte, o percentual de cumprimento da meta ficou em 88%. Em 2002, o Programa superou sua meta física em 2,1%, realizando 359.216 operações de crédito. É preciso lembrar que, na avaliação de 2001, foi solicitado o ajuste, posteriormente validado pelo Ministério da Fazenda, das metas físicas e financeiras de operações de crédito. Os novos números previram a realização de 217.018 operações em 2000; 291.940, em 2001; 340.256, em 2002; e 425.000, em 2003.
As novas metas financeiras para a ação financiamento concedido, para o período de 2000 a 2003 foram: R$ 155.705.902,10, em 2000, R$ 249.609.389,40, em 2001, R$ 259.207.129,03, em 2002 e R$ 340.000.000,00, em 2003, totalizando R$ 1.004.522.420,53. O alcance dessas metas pelo Crediamigo ficou em 89,46% em 2000, 80,55% em 2001, 87,19% em outubro de 2002.
A solicitação do ajuste teve duas motivações: o Programa de expansão do Crediamigo, que tornou as metas físicas anteriores inexeqüíveis, e a verificação de inconsistência no valor informado para a ação financiamento concedido. O valor anteriormente previsto no PPA de R$ 180.149.921,00 considerava o incremento da carteira ativa como índice de eficácia da injeção dos recursos do Programa na economia da região, valor este que não refletia a unidade de medida da Ação Financiamento Concedido. Pois, cada financiamento concedido corresponde a um valor contratado, que prevê a rotatividade dos recursos na economia, haja vista que o cliente renova seu financiamento quando quita o anterior (diferentemente do valor incremental de carteira ativa, que se refere a uma variação de saldo em posições estáticas dos valores devidos pelos clientes).
Com a expansão do Programa, iniciado em 2000 e consolidado em 2001, o Crediamigo construiu as bases necessárias para seu crescimento sustentado. Com os investimentos realizados neste período a expectativa é de que o Programa alcance a meta de 25% do mercado potencial até o próximo ano. Para tanto, as ações e estratégias darão suporte à captação média mensal de 19 mil clientes atendidos, o que implica em um crescimento de apenas 24%, em relação ao desempenho atual.
Em 2002, o Crediamigo foi responsável por 13,89% da penetração do mercado de microfinanças nordestino. O percentual representa mais da metade da meta de 25% do potencial previamente estabelecida para o ano de 2003. Nos anos de 2000 e 2001, o percentual de cumprimento ficou em 4,55% e 10,50%, respectivamente, o que aponta um avanço de 214% no cumprimento da meta verificado em 2002 quando comparado com o ano 2000 (de 4,50% para 14,28%). Ressalte-se que o desempenho foi conseguido mesmo com os investimentos feitos em 2000 e 2001 na capilaridade da rede, na oferta de novos produtos - como o Investimento Fixo - no aperfeiçoamento operacional e na formação de profissionais, que geram dividendos futuros, uma vez que o retorno dos investimentos feitos nos mercados não explorados aparece, em média, somente após nove meses. Considerando o aumento do número de assessores de crédito (que totalizam 574) e a consolidação de 165 unidades e 58 postos de atendimento, decorrente do Programa de expansão do Crediamigo, a estrutura para o crescimento do programa encontra-se solidificada e a expectativa é de que, no ano de 2003, o Crediamigo registre sua maior taxa de crescimento, suficiente para atingir a meta de 25%.



Em resposta à reestruturação do setor industrial, advinda com a estabilidade proporcionada pelo Plano Real e caracterizada por um forte aumento da produtividade e redução da oferta de emprego, passou a existir uma migração de empreendedores para a informalidade, como forma de substituir os empregos formais por outras atividades capazes de gerar renda e ocupação produtiva.
Uma grande parcela da população passou a encontrar, no setor informal, um meio de sobrevivência, constituindo um segmento microempresarial dinâmico, que tem entre suas principais fragilidades a falta de acesso ao crédito por não disporem de garantias tradicionalmente exigidas pelo sistema financeiro.
A maioria desses microempresários é de meia idade em diante, têm um nível de escolaridade oscilando entre baixo e médio e possuem larga experiência adquirida em anos de dedicação à atividade. Há um certo isolamento e falta de integração, dado que é pequena a participação em associações comunitárias, problema este que é menor onde há uma maior atuação de instituições oficiais promovendo capacitação e o fortalecimento comunitário.
Como o acesso dessa camada da população ao sistema bancário é difícil, devido ao baixo nível operacional, ao reduzido porte dos negócios e à fragilidade ou inexistência de garantias, o aporte de crédito a tais empreendedores se dá, em larga medida, através dos fornecedores e/ou agiotas, que cobram taxas de juros exorbitantes, inviabilizando o crescimento das atividades.
Experiências em países como Bangladesh, Indonésia, Bolívia, Colômbia e Peru provaram que o microcrédito é uma saída viável para atender à demanda do setor informal. As experiências foram implantadas por bancos sociais ou entidades similares, resultando no aumento e melhor distribuição de renda nesses países, que apresentam aspectos similares aos da Região Nordeste.
O Banco Mundial e o Banco do Nordeste, em reunião realizada em Fortaleza, em novembro de 1996, decidiram iniciar um processo de cooperação para implementação conjunta de um programa de desenvolvimento local integrado a sistema de microcrédito. A proposta baseava-se na constatação de que a atividade produtiva informal de pequeno porte, centrada no núcleo familiar e notadamente nas pequenas propriedades, não estava sendo plenamente atendida pela ação de financiamento do Banco, em função principalmente das restrições decorrentes da regulamentação do sistema bancário brasileiro para operações dessa natureza. Frente a essa demanda, criou-se o Programa Crediamigo e tendo em vista os resultados até então alcançados, conclui-se que o Programa está bem concebido. A seguir, é apresentada a tabela de causas do problema e suas respectivas ações:
CAUSA AÇÃO
Microempreendedores sem acesso ao crédito Financiamento ao microempreendedor
Setor informal sem capacitação empresarial Microempreendedor capacitado



O Crediamigo é um Programa extra-orçamentário cujas metas financeiras voltam-se para a aplicação de recursos junto a microempreendedores, especialmente na concessão de empréstimos. 99,2% dos recursos do Programa têm esta finalidade, enquanto o restante é destinado à capacitação dos clientes.
Desde sua criação, o Crediamigo vem construindo, ano a ano, parcerias fundamentais para a continuidade de sua atuação, seu bom desempenho e garantia de crescimento. Além da parceria com o Governo Federal, o Programa angariou o apoio do Banco Mundial, que, em 2000, assinou contrato de empréstimo garantindo US$50 milhões à expansão do Crediamigo, do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID no contrato de US$30 milhões, da Agência Alemã de Investimentos - DEG no empréstimo de 15 milhões de euros e do Grupo Consultivo de Assistência à Pobreza (CGAP) na identificação de soluções que permitam atender um maior número de pessoas na Região Nordeste.
O Crediamigo lançou um novo produto em 2001. O Capital para Investimento Fixo destina-se aos clientes do programa cujas necessidades de capital de giro já estejam satisfeitas em certa medida e que desejem fazer investimentos nas instalações, comprar ativos fixos ou aumentar o espaço físico do negócio.
Entre as ações que resultaram em produtos ou serviços oferecidos aos clientes do Crediamigo no período requisitado, destacam-se as duas aulas-oficinas realizadas, que reuniram cerca de 35 mil microempreendedores nas nove capitais do Nordeste, e que prestaram informações sobre o funcionamento do Programa e abordaram temas como comercialização de produtos e serviços, a importância do autodesenvolvimento do empreendedor e o atendimento ao cliente.
Com a definição de sua política ambiental, o Crediamigo disponibilizou treze guias de práticas ambientais racionais relacionadas a atividades de comércio, indústria e prestação de serviços. O Programa mobilizou as comunidades dos 1.983 municípios de sua atuação através da abordagem do tema Microfinanças e Agenda 21 em um de seus principais instrumentos de interação com a comunidade: o Farol do Desenvolvimento. A promoção de oficinas temáticas faz parte da filosofia do Programa, visando levar um aporte conceitual para disseminação entre os participantes, proporcionando oportunidades de capacitação e troca de experiências. Na oficina sobre microfinanças, os participantes são convidados a discutir e apresentar contribuições relacionadas com: "o desenvolvimento das microfinanças enquanto estratégia de redução das desigualdades sociais e a Agenda 21 do município" e a "articulação para o desenvolvimento de oportunidades de capacitação do setor informal", além de outros assuntos colocados pela comunidade.
O Crediamigo disponibiliza, desde sua criação, instrumentos de fácil acesso que permitem uma interação constante com a sociedade. A comunidade pode colher informações e sugerir mudanças através da linha gratuita do Cliente Consulta (0800.703030) e fazer valer sua opinião no Fórum de Clientes do Banco do Nordeste. Outra forma de participação está nos próprios balcões de atendimento da rede do Programa, instalados sob a forma de agências, postos e pontos de apoio, além das visitas sistemáticas realizadas por assessores do Crediamigo a um número cada vez maior de municípios da região de atuação do Banco. Ressaltem-se, ainda, as pesquisas de satisfação realizadas, determinantes na adaptação do Programa às necessidades dos clientes ativos e potenciais.
Como se vê, o envolvimento da sociedade com o Crediamigo é alto, como mostram as pesquisas de satisfação do programa, e crescente, à medida que o programa se expande. Em abril de 2001, uma auditoria do Tribunal de Contas da União aferiu uma satisfação superior a 90% junto aos clientes do Estado da Paraíba. A satisfação mantém-se até mesmo entre os que já deixaram o Crediamigo: 93% recomendariam o programa a outros microempresários. A maioria absoluta dos clientes ativos (98%) estão satisfeitos com o serviço prestado pelo assessor de crédito.
Além do TCU, uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas - Ipespe também é reveladora da influência do Crediamigo junto à sociedade. Mais de 90% dos clientes pesquisados nos nove estados do Nordeste consideram o Programa decisivo para o bom desempenho do seu negócio e para a geração de emprego e renda nas localidades onde ele está presente. Cerca de 95% consideram o acesso ao crédito ótimo e bom, e 96% estão satisfeitos com o atendimento que recebem.
Vale destacar que se encontra em fase de preparação uma avaliação sócio-econômica que medirá os impactos do Crediamigo na sociedade e subsidiará o Programa na identificação de controles sociais que permitam alcançar objetivos de melhoria de qualidade de vida, geração de emprego e renda e estimular a inserção social do indivíduo através do exercício da cidadania. Porém, para o Programa, não se verificou um esforço de capacitação ao longo do período de 2000 a 2002.

Cultura Afro-Brasileira